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Mostrando postagens com o rótulo Esportes

White Jordan: a história da rainha Hortência

FREDERICO MORIARTY  – As categorias de base do basquetebol eram divididas por idade. Com 16 anos eu jogava na categoria infanto-juvenil pela Associação Desportiva Classista Minercal. Naquele ano a empresa decidiu investir pesado no basquete feminino. Trouxe meia dúzia de excelentes jogadoras e ela, a rainha das quadras: Hortência Marcari. Dona de vários títulos e muitas cestas, a moça de Potirendaba passou 8 anos em Sorocaba. Ganhou tudo o que se possa sonhar no esporte coletivo. O técnico da equipe fazia alguns treinos pesados para as mulheres da Minercal. A estratégia era botar elas pra treinarem contra os homens. Não os adultos, nós do infanto-juvenil. Deraldo, nosso técnico, avisou: como você é o melhor marcador, pega forte e tem 1,88m, vai marcar a Hortência. Ali eu tremi. Hortência e a piracicabana Paula eram duas lendas do basquete feminino, mesmo antes de conquistaram todos os títulos possíveis nos 10 anos seguintes. A gente só queria estender um tapete vermelho no chão pra...

Rei Pelé:( quase) 80 anos

FREDERICO MORIARTY  – Quarta feira, 19 de novembro de 1969. Eu estava prestes a completar 2 anos de idade. O Jornal Nacional noticiava a segunda viagem do homem à Lua. Mas nada superava a ansiedade em assistir o jogo pelo Roberto Gomes Pedrosa, o Brasileirão dos anos 60. De um lado do Maracanã, o Vasco da Gama. Doutro, o imortal Santos Futebol Clube. Em campo, o sobrenatural rei do futebol. Aos 33 minutos do segundo tempo, sob protestos de 1 milhão de esmeraldinos, o árbitro marca pênalti para o alvinegro praiano. O tempo retrocedeu. À beira do gol mil (Foto: jornal O Estado de S. Paulo) Num recôndito tricordiano qualquer, cercado de cachorros do mato e gatos arredios, há 80 anos, dona Celeste gritava de dor. Chovia pedregulhos naquele dia, o céu estava tempestuoso. Dondinho chutava fantasmas invisíveis pela sala, desesperado. Era tarde, a parteira suava de cansaço. Veio um raio, daqueles fortes, de partir carvalho ao meio. Logo depois o estrondo. Nesta hora, tudo acalmou, as nuven...

Se Macumba ganhasse jogo

FREDERICO MORIARTY  – “Se macumba ganhasse jogo o campeonato baiano terminaria empatado”. Frase de Neném Prancha, um dos folclores do velho futebol brasileiro. Outro personagem maravilhoso foi Vicente Matheus. Presidente do S. C. Corinthians entre 1958 e 1991 (não seguido). Foi o mestre que tirou o Timão da fila de 24 anos em 1977. Arquiteto do time que virou a Democracia Corintiana. Dono de um sem fim de histórias e achados como “quem está na chuva é pra se queimar”.  O timaço do Corinthians dos anos 80 trouxe o maior goleiro do país para fechar as traves: Carlos. Era 1988, final do finado Paulistão (um campeonato que atravessava o ano todo, com turnos, retornos, terceiros turnos e dezenas de finais, mas era o que nos importava). A final seria contra o Guarani de Campinas. No papel, os craques da terra de Carlos Gomes eram melhores. Vicente Matheus entrou na sala da presidência, horas antes do jogo de ida. Preocupado, começou a refletir sobre o que poderia atrapalhar o ...

César Lemos: o mais provocador e carismático atacante e maluco da S.E.Palmeiras

FREDERICO MORIARTY – O jornalista Roberto Silva da Rádio Bandeirantes não perdoou e revelou ao vivo que César Maluco passara mais uma noite na balada. O atacante do Palmeiras entre 1967 e 1974 ficou uma vara. – O Roberto, por que fez isso? – Porque vc estava na balada César. – Eu sei cara. Mas no jogo eu resolvo. – Sou jornalista. Meu papel é informar meu leitor… – Você me paga! Você me paga… Dias depois, o Palmeiras enfrentava o Corinthians. César foi um dos grandes carrascos do alvinegro paulista. A rivalidade talvez seja a maior do futebol brasileiro. Meio da partida, César recebe pela esquerda, parte em direção ao gol e na altura da meia lua, chuta forte no canto esquerdo do goleiro corintiano. Gol do Palmeiras. César era a alegria em campo. Corria, mandava beijos, abria os braços e se dirigia ao fundo do campo. Passou pelas placas de propaganda e correu em direção a Roberto Silva. Abraçou e beijou o jornalista. Repentinamente, César arranca a peruca do repórte...