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Se Macumba ganhasse jogo

FREDERICO MORIARTY – “Se macumba ganhasse jogo o campeonato baiano terminaria empatado”. Frase de Neném Prancha, um dos folclores do velho futebol brasileiro. Outro personagem maravilhoso foi Vicente Matheus. Presidente do S. C. Corinthians entre 1958 e 1991 (não seguido). Foi o mestre que tirou o Timão da fila de 24 anos em 1977. Arquiteto do time que virou a Democracia Corintiana. Dono de um sem fim de histórias e achados como “quem está na chuva é pra se queimar”.  O timaço do Corinthians dos anos 80 trouxe o maior goleiro do país para fechar as traves: Carlos. Era 1988, final do finado Paulistão (um campeonato que atravessava o ano todo, com turnos, retornos, terceiros turnos e dezenas de finais, mas era o que nos importava). A final seria contra o Guarani de Campinas. No papel, os craques da terra de Carlos Gomes eram melhores.
Vicente Matheus entrou na sala da presidência, horas antes do jogo de ida. Preocupado, começou a refletir sobre o que poderia atrapalhar o título. Carlos!! Sim, o goleiro corintiano, titular durante todo o campeonato, era pé-frio. Matheus relembrou da carreira do longelíneo e louro arqueiro: vice em 1977 e 79 com a Ponte. Banco da seleção em 1982. Titular na Copa de 1986 e responsável  pelo pênalti que Platini bateu na trave, a bola voltou nas costas do goleiro e entrou nas redes, tirando o Brasil da semifinal. Não.  Carlos não poderia jogar. Vicente Matheus deu a ordem, o técnico Jair Pereira seguiu. Botou Ronaldo, um jovem de 20 anos vindo da base.
Primeiro jogo no Pacaembu, 1 a 1. Neto (futuro ídolo corintiano) fez o gol do Bugre. Na segunda partida em Campinas, o Guarani precisava apenas de um empate. O jogo foi 0 a 0 até os 5 minutos do 2° tempo da prorrogação. Viola fez o gol salvador do Timão. Ronaldo fechou o gol. Corinthians,  sem Carlos, foi campeão. Para garantir o futuro, no dia seguinte, Vicente  Matheus  vendeu Carlos para a Turquia. Pé-frio jamais.
Bruxas não existem – mas, que a coisa é esquisita, isso é. No Mundialito de 1981, Carlos era o titular da seleção brasileira. Time fantástico. Depois de um 4 a 1 na semifinal contra a Alemanha, perdemos a decisão para a Argentina. Na foto daquela seleção vemos um Carlos distante, aéreo, afastado do grupo. Os babalorixás diriam que não era para ele estar ali. Vicente Matheus teria deixado o arqueiro no aeroporto.
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