Pular para o conteúdo principal

O Novo Amanhã


Quando acabar tudo isso, não sairemos às ruas abraçar calorosamente as pessoas. Pois o hoje nos mostrou que um bom número delas não era merecedora do nosso afeto. Não faremos festa de confraternização, pois muitos deixaram o outro de lado e comemoraram em meio aos cadáveres. Alguns irão (finalmente) trabalhar de olhos abertos porque ficou claro que somos apenas um número, um peso morto, uma estatística. Quem sabe o Novo Amanhã sirva como um veneno contra a hipocrisia. Mesmo que montado sobre a pilha de mortos. Somos uma sociedade egoísta, uma miríade de ilhas postadas num distanciamento social mesmo antes dele existir. Apenas uma multidão de corpos esperando nossa cova chegar.
( obra de Castor Friederich.1818)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Livre Arbítrio

Um vento frio percorre meu corpo Como um sopro seco em final de noite Vai descendo pelos membros Trazendo calafrios na pele Colocando pensamentos fúnebres Nas vísceras Resfriando veias e artérias Amedrontadas com o mau presságio Toda a estrutura balança A espera do corte brutal O homem é ser esquisito Morre na véspera Pois sabe o caminho onde nunca chegará Poderia cobrir-se do frio Buscar casaco e conforto Amor e esperança Entretanto prefere acreditar no destino Que só existe numa simpatia Inventada em sua própria insegurança E deixa-se morrer uma pétala a cada dia Levando a beleza e o orvalho. O odor dos campos Quentes e pulsantes. ( fonte da imagem: Deustch Welle)

Eu te quero Morto

Frederico Moriarty Entre os 881 mortos de ontem havia o choro desesperado da mãe. O lamento da filha que dias antes deu seu último beijo no pai e este ouviu o derradeiro “eu te amo”.Uma miríade de rostos sem nomes, corpos sem despedida, almas moribundas. Foi um dia frio, gelado, de perdas e tragédias familiares. Toda dor é infiníta. Toda morte tem o silêncio surdo dum parafuso tampando o caixão fúnebre. O horror é de tal dimensão que não se prestam mais homenagens. Os vivos ficam estáticos e resignados frente ao sarcófago lacrado. Antes disso angustiaram-se sem notícias do enfermo tão querido e necessário. É uma morte besta, causada pelo invisível. Não há mais os passos tristes do cortejo em direção à cova. Estas, estão prontas antes mesmo do último suspiro. E são muitas, como uma imensa escadaria de valas. De sete palmos de fundura. Em meio ao tenebroso cenário, muitos gritam: levantem seus corpos desfalecidos e ponham-se a trabalhar. Inventam que o fim da vida é uma invenç...

Laranja Mecânica: o livro de Anthony Burgess, o filme de Kubrick, o futebol holandês e o Brasil Horrorshow atual

FREDERICO MORIARTY  – Johan Cruyff desce pela avenida Marinho Chagas, o então lateral esquerdo do Botafogo, e cruza para Neeskens anotar o primeiro gol neerlandês com 5 minutos de jogo. O Carrossel Holandês começava a passear sobre a poderosíssima seleção brasileira (campeã de três das últimas quatro copas do mundo e terra do maior fenômeno da história do futebol, Pelé). Rinus Mitchell, o técnico dos Países Baixos, utilizara a base do Ajax Amsterdã, então tricampeão invicto da UEFA  (hoje, Xampions  Ligui). A Holanda praticava o revolucionário “futebol total”, no qual os jogadores não tinham posição fixa, ocupavam todos os espaços vazios e atacavam em círculos. Dias antes da partida, o técnico brasileiro, Zagallo, um lambe botas da ditadura militar, que dirigiu a seleção de 70 apenas porque o ditador de então não queria o comunista João Saldanha à frente, proferiu uma de suas tantas empáfias. “Quem tem de estudar e aprender futebol conosco são os holandeses”. ...